Sete lagos

Queima-me este encontro das nossas bocas. A presença feita de nós. Encontro adiado, depois prometido. Percorrido e desejado. Este mar cavalgado de ondas em mim, salgado. Tempestade incendiada. Saudade. Mil estrelas no céu cadente riscado iluminam o teu corpo. Uma mesa de pedra quente espera os nossos corpos de madrugada. Ali mesmo ao luar os nossos corpos contorcem-se num desejo tocado e beijado. Transpiro de ti. Trago o teu cheiro que me adormece e afaga. Mil duendes e feiticeiros abençoam-nos. Beijo-te a alma com o coração, dizes-me estranho nas estranhas. Abraço-te. Parto acompanhado pela música que ouvimos junto ao lago adormecido desperto de nós. O vento quente da noite transforma o bailado num palco de árvores incerto. Corpos dobrados numa dança cadente embalados pela mãe natureza sem pensamento ou razão, animalescamente suaves e comprometidos pelo êxtase. Pinto este quadro inventado como se a tela fosse a vida, as minhas mãos um pincel, e a essência as cores da inspiração. Percorre-me as veias o fervor de vida. Uma intensa vontade de me imolar numa floresta densa semeada de uma única palavra caustica, precisa e suave. A palavra segredo descreve a palavra não dita. A palavra abraço descreve muitas palavras desnecessárias de se dizerem.

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