Lucas 7, 36 – 50
Chegava com aquele ar místico que o caracterizava. Toda a gente o conhecia sem ninguém o conhecer. Ninguém sabia donde vinha, se tinha família, o que fazia. Era uma pessoa gentil e com um bom ar. Entrava, saudava, bebia o café, desfolhava o jornal como que distraído, como se não lesse qualquer noticia ou assunto e saia com o aceno simpático. Não se demorava mais que o tempo necessário. Tinha um ar meio distraído de quem nada repara e tudo absorve. Usava umas roupas confortáveis e sóbrias, dando-lhe no entanto uma diferença que não se conseguia saber qual era. Alto, bem constituído era uma figura despretensiosa mas que não se conseguia, não reparar.
Uma manhã ainda mal nascida, na passagem de Setembro para Outubro, vieram uns homens e levaram-no. Eram da polícia certamente. Tudo muito rápido. No café nesse dia tudo se falava. Que era ladrão de bancos, que tinha morto uma mulher, terrorista, traficante. Já toda a gente tonta, opinava. Uns que achavam que a “coisa” não batia certa, outros eram da opinião que era um engano, que ele tinha boa cara, outros diziam que, quem vê caras não vê corações, outros ainda não tinham qualquer tipo de opinião e estavam-se borrifando para o acontecimento da manhã.
Mas o que é que aquele homem, com bom ar, não identificável, tinha feito ou seria?
Os dias somaram-se às noites e numa noite ele voltou. Trazia um filho nos braços e uma mulher no coração. Tinha renunciado. Numa terra distante e interior tinha sido padre. Tinha feito um filho a uma paroquiana. Loucos de amor numa noite na sacristia não resistiram à carne e fundiram as almas, os seus corpos, bocas, braços e coração. Era caso de polícia. Presentes ao juiz, decretou: “ausência de culpa terrena” e ordenou que fossem alvo de punição divinal. Presente ao enviado de deus na terra, julgou-o, expulsando-o e humilhando-o, conforme a desconformidade da fábula de Maria Madalena segundo o Evangelho.
Lucas 7, 36 – 50
36. Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa.
37. Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume.
38. A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijos, e os ungia com perfume.
39. Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: "Se esse homem fosse mesmo um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora."
40. Jesus disse então ao fariseu: "Simão, tenho uma coisa para dizer a você." Simão respondeu: "Fala, mestre."
41". Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinquenta.
42. Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?"
43. Simão respondeu: "Acho que é aquele a quem ele perdoou mais." Jesus lhe disse: "Você julgou certo."
44. Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: "Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos.
45. Você não me deu o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés.
46. Você não derramou óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume.
47. Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor."
48. E Jesus disse à mulher: "Seus pecados estão perdoados."
49. Então os convidados começaram a pensar: "Quem é esse que até perdoa pecados?"
50. Mas Jesus disse à mulher: "Sua fé salvou você. Vá em paz!"
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