Impossivel ....
Nada é impossível a não ser aquilo que eu acho que é, disse eu à nuvem, que quase me tocava na cabeça de tão baixo que estava pousada no céu.
- Olhou e disse-me: mas é isso mesmo o que estás a dizer, se apenas é impossível aquilo que achas que é, quer dizer que nada é impossível.
- Não me baralhes, isso foi o que eu afirmei.
- Não, o que tu afirmaste foi: nada é impossível a não ser aquilo que tu achas que é, e o que eu disse foi que sim, que apenas é impossível, aquilo que tu achas que é, o que desdiz a possibilidade do impossível.
- Pois é, tens razão: Se apenas é impossível aquilo que eu acho que é, tudo o mais é possível.
- Sei tão pouco sobre tudo. Provavelmente existem mais possibilidades do que aquelas que eu vejo. Sei tanto de nada. Como eu gostava de ter a liberdade de morar no céu, mudar de cor e forma como tu mudas. Viajar por aí e tratar as estrelas por tu. Chorar água cristalina. Mudar do estado sólido, líquido e gasoso como se desvendassem segredos guardados uma vida. Fundir-me noutras pessoas como te fundes noutras nuvens. Maiores, mais pequenas, mais claras ou escuras, de noite, de dia, no nevoeiro, ou no luar. Essa liberdade quero-a mesmo sabendo-a impossível.
- Vês o que quero dizer com impossibilidade?
- Sim, compreendo.
- No entanto continuo no meu entendimento a julgar ser possível numa manhã estrelada pelo nevoeiro afora, encontrares mil cores na face dançante da liberdade, espraiada num areal desenhado de palavras, bem-estar e estrelas, e isso é o que acabaste de descrever como impossível.
- Não tive nada a acrescentar a não ser um:
- Fazes-me bem, sabes!
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