Lenine e mais os outros todos
Disseram-me as mesmas coisas de Lenine e Jesus Cristo, de Karl Marx e João Paulo II. Não me disseram. Ensinaram-me. Mais tarde li. Disseram-me que todos defendiam direitos iguais para deveres iguais. Que a força do trabalho deveria ser distribuída equitativamente. Que a justiça social, o direito à habitação, emprego, justiça e saúde era um direito humano. Escreveram-se direitos humanos que não chegaram ao Dafur nem a Portugal pelos vistos. Ensinaram-me neste País pós cinquenta anos de ditadura que agora é que era. Ensinaram-me não, prometeram-me.
Continuam a prometer todos os dias, nos jornais e telejornais e diabo a sete. Promete o Sr. engenheiro que não é engenheiro nem primeiro-ministro. Prometem os adjuntos e os encomendados, promete a oposição, os secretários, os adjuntos e titulares, os assessores, os autarcas, os de direita, os da esquerda, os de centro moderado, os da esquerda chique e intelectual e os da igreja também. Todos prometem e ninguém cumpre.
Cumprem os seiscentos mil desempregados que não vão trabalhar, os pais que não mandam os filhos para as faculdades, os que não tomam os medicamentos nem genéricos em troca de comida, os audazes. Cumprem os que não têm escolha.
O adn do País está em mutação. Precisamos de um novo, construído e manipulado genoma social, dado ás crianças ao pequeno-almoço, forte em auto-estima, verdade, solidariedade. Isento de “playstations” e morangos com açúcar, a ver se daqui a vinte anos isto muda qualquer coisita, porque isto por estes vinte próximos anos está visto.
Disseram-me o mesmo de Lenine e Jesus Cristo, de Karl Marx e João Paulo II. Tudo escrito e impraticável.
Daqui a vinte anos falamos.
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