“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”.

A cidade enrodilhada acorda. Faço o caminho diferente do habitual. Não me apetece dar os bons dias do costume, à Margarida que me serve o café. Quero entrar de óculos escuros às oito da manhã e não ter que os tirar por ser Dezembro ou Abril. Não quero dizer ao gordo do marido da Cristina palavras sem sentido e de circunstância, ou à mulher dele aquele “sim, olá está tudo bem”, o que vou fazer, ou se a minha filha voltou, regressou ou simplesmente ficou por lá este fim-de-semana. O que eu quero mesmo é conversar com alguém que me interesse, entusiasme e me prenda de conversas e magicas prazeirosas e interessantes. Como diz o pensador, “se olharmos muito tempo para um abismo, o abismo também olhará para dentro de nós”. Olhar par dentro de nós é um exercício aterrador, ao mesmo tempo fantástico e libertador. A liberdade de encontrar, de saber mais e de entender.


 


“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar”.


 


Friedrich Nietzsche


 

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