E se quando eu te encontrar começar aos saltos e correr para te abraçar?
E se quando eu te encontrar começar aos saltos e correr para te abraçar?
Não sejas tonto, pensei eu de mim para mim. A luz do bairro quando a noite se adivinha é soturna. Em dias invernosos as pessoas passam apressadas e curvadas. É como se conseguissem evitar os bagos de chuva que caiem do céu. Vive uma velha oliveira entre dois prédios. Está cada vez mais baixa e grossa. Mais redonda. Olhei-a da minha janela centenas de vezes para lhe fazer companhia.
Os teus olhos invisíveis têm pintado um olhar desviado. Não sei como isto se explica. Não se explica. Sente-se. Os teus olhos sentem-se. São embutidos de um conhecimento que não tens. Feito de adivinhação sentida. Feitos de ubiquidade. São como a presença e a distancia, a omnipresença e a companhia, o desvio e o caminho, a diferença e a semelhança. Verosímil aceito as palavras que me afogam o pensamento. Penso em sinais e na estrela cadente que vi dividir o céu em fogo. Da quietude e presença, do desejo não material que supliquei. Da calmaria que desejo entrelaçada de dedos e de um quintal que cheire a roupa estendida. De um degrau onde me sente, do assobiar do vento, e da luz do nevoeiro. Da musica que escolho e dos livros que leio, e tenho tantos por ler, cada vez mais e mais sequioso de o fazer.
A madrugada desperta-me e manda-me deitar. Sinto a face quente de sonhar.
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