Palmas Palma !
Sentado esperei os primeiros acordes que o lobo malvado haveria de entoar na noite para mim respeitosa, pela obra poética, pelo matrimónio de sustenidos e bemóis, pelo conteúdo e forma. Denunciou-se pelas passadas disformes e pelo riso atrapalhado das palavras. A plateia reagiu em chacota, como se de o Zé Cabra se tratasse. Senti um arrepio. Como era possível aquele quadro dantesco estar ali presente. Desrespeitosas as pessoas, música após música sorriam. Os aplausos foram arrancados a uma ironia prenha de maledicência e desonestidade intelectual. O músico a isso se pôs a jeito. Mas quem gosta e ama, fica triste e abomina aquela realidade, que a mim próprio neguei. O Jorge Palma é o Jorge Palma sóbrio ou não, mas é a anos-luz melhor, sóbrio. Obrigado Jorge pela mensagem.
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