Seis anos e tal !...

O sentido da vida é desconhecido e opaco, por isso me vergo numa oração ajoelhada sedento de encontrar um caminho, uma bênção, uma ideia venturosa. Os meus olhos presos ao conhecimento não arriscam ser cegos. A cegueira descoberta transforma-se em luz. Incorro em adormecer nestes lençóis suados de madrugadas por adormecer. Salto de mim e pulo como se outro corpo e nova alma, escolhesse para habitar. Retempero esta fria temperatura que me corrói espiritualmente, na busca de uma religião ainda não inventada. As poças de água em que chapinho a minha face, entre o passar do vento assobiado e da solidão presente nesta planície em que me encontro, seduz-me mais do que o corpo de uma mulher disponível e atraente. Desencontro-me de mim fugidio, para me encontrar à hora marcada com o desconhecido. Não se é feliz porque se pensa sê-lo. É-se feliz por se ser. Não há existência para além de nós. Não se debita existência nos outros. Tudo o que existe está dentro de nós, e descobri-lo é a razão e o caminho existencial na nossa carne, do nosso espírito. As respostas exigem recato e silêncio. Adormecer sem hora, alimentamo-nos sem mesa, viajar sem destino, admirar cada momento, ser sedento da sabedoria do desconhecido e abraçar cada esquina já dobrada, é erguer a dádiva de sermos existência ao céu. É o sentido da vida. A vida é feita em sentido contrário. Morre-se antes de nascer. A vida é ressurreição. Morre-se várias vezes em vida, nascendo.

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