29.10.2010 - 21h
O coração na garganta embarga-me a voz. Fico rouco e as palavras são difíceis de sair. As pessoas representam-se-me como holofotes dirigidos a mim que me cegam. Sufoca-me e atordoa-me o emaranhado emocional. Revejo as cenas uma a uma, volto a vivê-las no presente e tardiamente ao adormecer. Espasmos acordam o meu sono e as voltas transpiradas na minha cama retrocedem-me a tempos idos, voltados ao pensamento. Sinto um sabor amargo de recordação na boca e um medo explícito no olhar. Abraços reconfortaram-me e trouxeram-me o dia. A refeição quente com amigos. As gargalhadas voltaram e sentaram-se à mesa connosco. O percurso junto e percorrido de um caminho com historia. A conversa simples e banal, fortuna feita disso mesmo. A madrugada que entrou purificada com a chuva que caía abundante e torrencial. O sossego da quadra das três da manhã. É bom sentir. É bom emocionar-me. O mar corre mais em baixo na marginal. Por detrás das nuvens, ilumina-as uns clarões de relâmpagos. Tenho o olhar cheio de pessoas que me são importantes. Escassas em numero. Não são mais de mil, são menos até, bem menos, mas são tantas. São tantas e habitadas de importância e vida, que sem elas estaria perto da morte.
"Há momentos que as palavras não passam de meros ruídos inúteis..."
Comentários
Postar um comentário