Madrepérola, caramanchão

Sou sólido, feio e leal como o Cesário Verde. Tu és bela, frágil e assustada como descrita.Vejo-te pelo meu olhar engravidado pelo volume do meu peito de tanto te querer. Todas as esquinas da cidade anoitecida são mesas, cadeiras e bares onde te encontro sem te querer encontrar. O que eu queria mesmo era matar este pensamento feito de nada e cheio de ti. Malévola sorte entrincheirada entre o fosso recordado e a planície vivida. Má sina esta. Sorte a minha que não muda com as estações. Este verão primaveril nunca mais se mistura com as nuvens carregadas e escuras do dia em que partiste. Ouvir-te em debandada é como a chuva que molha a praia depois de um dia quente que fez morena a tua tez. Nas gaivotas enlaço as mensagens que te quero dizer quando não te tenho, e que não digo quando te tenho a respirar nos meus braços. Fortuna minha cantada neste Lusíadas feito de vida e caminho. Madrepérola, caramanchão, jardim suspenso de cheiro rosas e flores.

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