Malemolência

Sentir dor é inevitável. Sofrer é opcional. A escolha de dor é-me, ou não infligida por critérios que não os meus, logo desresponsabilizada. Devolver a dor, é ter uma alma pequena e contraria ao que acredito, já sofrer é opcional. Sofrer tem intrínseca uma decisão. As minhas decisões valem muito mais do que a desonestidade intelectual não pactuada. Estes pensamentos gemem em mim, depois da intensidade profícua e descontrolada do entusiasmo da entrega. Vergo-me às escolhas que a vida tem e acredito no entendimento lá mais à frente. Ficar preso nas escolhas de alguém, é impedir o meu próprio crescimento. Nasço todos os dias renascido, sou um ser mutável, atento, perspicaz e de boa leitura social por necessidade. Não ressinto, muito menos quero ser ressabiado, ou perder a ironia dos momentos no ajustamento da insistência adulterada e profiláctica. Pensamento divergente é uma escolha que me faz sorrir, no meio de um campo de milho verde em crescendo. Socorrer-me das estradas de pó molhadas pela rega das emoções, sentir o assobiar do vento na minha face, devolve-me ao sossego translúcido e opaco aos olhos de quem não me vê. Hoje subi a serra e desci um ribeiro, num vale onde ainda soam acordes de malmolência como uma ausência de disposição, moleza, indisposição, má sorte, caiporismo, desdita, calma excessiva; falta de empenho, fleuma, pachorra ardil ou desculpa para evitar algo, subterfúgio, pretexto, jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover, consideração positiva, manha, malícia, elegância, destreza, molejo, música. ritmo gingado, característico da interpretação de certos cantores de samba, dançarinos, ou modo característico de porte dos antigos malandros.


 


Malemolência é também um nome de uma musica, uma noite, um principio e um fim, sem um meio. O resumo de um estado de espirito.  

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