É tão ou mais ...

É tão ou mais difícil dizer que se deixou de amar, do que dizer que se ama, ou que nunca se amou.


 


Os finais são sempre mais dolorosos, doem sempre mais do que os começos. São diferentes na sua agonia. Se o primeiro existe pelo desconhecimento das respostas o segundo existe pelo conhecimento das objecções. O começo é indistinto e sombrio, o final é opaco, isento de luz ou de cor, despedaçado e desperançado. Entre a fé e a razão habitam emoções e atitudes. Deixar um mar daquele tamanho para trás, aquela terra da cor das pessoas, as crianças com olhos do tamanho do mundo, aquele sítio, onde se sabe poder ser feliz, e voltar às amargas horas de representação social, de procura nas horas de minutos de presença genuína e felicidade, faz da espera o pronuncio de uma delonga aguardada, faz deste vazio, solidão plena, inadequação desejada, identificação não encontrada. Apetece-me embriagar com álcool. Embriagar daquela embriaguez que deixei sóbrio. África está para mim, como a religião está, para quem nela sente a verdade. Tanto que por lá aprendo. Tanto, que por cá não quero esquecer. Aprendo com quem nem ler sabe, nem precisa, porque entende a Natureza e é livre. Amo aquela terra de ninguém e de todos. Partir é sempre mais difícil do que chegar.


 


É tão ou mais difícil dizer que se deixou de amar, do que dizer que se ama, ou que nunca se amou.

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