Lírio e a alecrim salgado a mar
As mulheres que me amaram foram todas, tantas e nenhumas e todas as que eu amei foram escassas, parcas e fugidias. Resta-me pouco mais que as noites fragmentadas de trabalho e sono. Amei uma que tinha nas mãos um jardim, no cabelo caracóis e no peito poesia aos quadrados de xadrez colorido. Outra carregava encanto nos ombros e ao caminhar, os seus passos faziam desenhos lindos que não mais vi igual, cheirava a lírio e a alecrim. Outra, na cintura adelgaçava de meninez e inquietude e o seu olhar era como duas luas cheias, o sangue ouvia-se a correr de vida quando adormecia, e o seu cheiro era salgado a mar. Ambas sorriam pelos poros e as palavras só atrapalhavam o discurso. Sim, porque as palavras às vezes só atrapalham, ou só me atrapalham, como o vento que me arrefece, despenteia e as leva em vocábulos. Amei pouco e tanto. Amei muito e nada. De uma tive uma filha, e dos filhos não há muito a dizer, só há sentir. As mulheres que amei foram as mesmas que me amaram, embora no durante não o soubéssemos. Não se ama só uma vez na vida. Ama-se sempre e para sempre.
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