Que o sol nunca seja empacotado
Holocausto mental invade quem nos governa. Quem por nós decide. Quem, com ou sem o nosso voto doado, emprestado, impensado, inopinado, abstencionista, ou qualquer outra forma de somenos importância para o caso, fazem decisões das nossas indecisões.
O que fazemos nós com as nossas decisões?
Que compromisso celebramos?
A que sacrifício nos comprometemos?
Esta forma de pagar para nos sacrificarmos é ancestral. Reduz e deforma o ser humano das suas reais necessidades e equilíbrios energéticos. Reparo nisso nas bombas de abastecimento de combustíveis, nas madrugadas à porta dos postos médicos, nas entradas das escolas e cafés limítrofes, no cheiro das igrejas e dos estádios de futebol, no verão que se pôs Outono e no Outono que já não termina mais. O nosso primeiro-ministro está menos louro, o que publicita indirectamente e revitaliza, o celebre restaurador olex e muito em breve a pasta medicinal couto, tais são os sorrisos forjados e dilacerados. Porque não pôs um dinossauro o pata no meu quintal, quanto mais não fosse, isentava a minha filha de pagamento de propinas, segundo consta. Cansa-me esta miserabilidade. Quero ser farto de esperança e acreditar que o trabalho vale mais, que o xico espertismo. Acredito na providência divina e no restabelecimento dos laços. Lembro-me dos laranjas e dos azuis clarinhos da minha infância. Recordo os vermelhos e os verdes. Os segundos muito mais interessantes que os primeiros. Apesar de alguns ajustamentos, a coisa mantém-se e o casamento não se desfaz. Voto, quer apenas dizer, juramento, sufrágio, parecer, arbítrio, decisão e afins. Tudo palavras sérias e inundadas de significado, apenas esvaziadas pela tomada de decisão, das nossas indecisões.
Que o sol brilhe à borla e nunca se consiga empacotar, para que não seja vendido num hipermercado perto de si, ou no sítio do costume, de forma a que não tenhamos que comprar detergente e sol, no mesmo corredor ou prateleira do sabão clarim.
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