Indignados
Desço a avenida. Envergo um cartaz. Peço por paz. Espera-me um homem, Enche-me de porrada. Castigo divino. Deu-lhe o Gaspar. Nem férias. Nem natal. Nem subsídio vai gastar. Olhei para o lado. Fiquei estarrecido O homem que me bateu. Estava rendido. Gritava revolta. E a sua conversão. Esperava-o o colega. Cego de razão. Deu-lhe porrada. Filho da puta. Cabrão. E mais uma volta. Indignados à farta. Desce-se a avenida. E já não há farda. Os que antes usavam. Gritam por pão. Querem nos filhos educação. Querem um lar. E direitos humanos. A pouco e pouco. A avenida fez jus ao apelido. Liberdade. Igualdade. Fraternidade. Desce-se inversa a avenida. Já não há porrada. Mudaram de sítio. Pelos filhos. Descendentes. Do sentido primogénito. Esta não vai com cravos. Escutei. Que paguem os culpados. Soltem os operários. Marcha solidária dos embuçados. Assim se faz uma nação. Paz, pão, educação, saúde e habitação.
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