Um tesouro e umas ruínas

Quando decidido me enfrentei, descobri em mim um tesouro e umas ruínas. Descobri um tesouro de sensibilidade que se transformou em ruínas, à medida que os dias se aglomeraram, nessa senda espaçada de tempo em crescendo. Descobri igualmente umas ruínas por edificar, uma margem enorme de criatividade, uma bolsa de oportunidade e a reconstrução de um palácio desconstruído, mas que se manteve alicerçado à terra, essa terra fértil, onde apenas se pode levantar do chão, uma obra sã. Descobri uma sapiência desconhecida mas análoga a esse desconhecimento. Descobri um menino e um idoso. Um homem e uma mulher. Um rico e um pobre. Um democrata e um fascista. Descobri um fado e uma canção. Um poeta e um prosador. Um delinquente e um justiceiro. Um amigo e um inimigo. Um negro e um branco. Um índio e um cowboy. Um pássaro e um peixe. Uma madrugada e o solstício. Uma onda e uma maré. Um lago e uma floresta. Uma pétala e uma flor. Reconstrução é: saber quem sou. De onde vim. Para onde vou. O que é a traição. O que é o amor. Lucidez e confusão, mas acima de tudo paixão, paixão pelo tacto e o bom senso, familiares que são da coerência.


 


Quando decidido me enfrentei, descobri em mim um tesouro ... e umas ruínas.

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