A batida do amar
Não consigo deixar de misturar a natureza em mim. Não me separo da ponte que as tempestades criam no meu ser, ou na acalmia que designam as minhas mãos. Descendo o empedrado da calçada, o musgo nascente entre os seixos não deixam nunca de me lembrar a minha avó que vi morrer numa cadeira em paz sentada. Não consigo deixar de reparar nas variantes que a luz tem, no final do dia, e no correr dele para a noite. Não existe musica mais suave que o vento, ou métrica musical mais certa que a batida do amar. Não existe foto mais bela que a paisagem decifrada do cimo de uma montanha, ou amor mais belo que o abraço do sol adormecido na planície. Não existe maior encantamento que os pássaros e o seu voo, ou as crianças desarvoradas em correrias de crescimento. Não existe maior feitiço que a saudade da infância. Hoje, prendido nos meus pensamentos vi um fio de água que se tornou rio mediante a aproximação. As margens de tão iguais, diferentes se presenteiam. O algoritmo da estatística da natureza fecundou-se na simetria. A gravidez é a forma mais encantada de vida. São lindas as barrigas crescidas de vida. O amor, é o maior sossego que senti e a forma mais desprendida que conheço de matéria. Quando apaixonado, o desprendimento de bens materiais foi a melhor fortuna que experimentei. Desencanto-me no adormecimento incapaz de sentir, escrevendo palavras soltas feitas de esperança.
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