Naif, essa complexidade elaborada da consciência da simplicidade
- Já madruguei nos teus braços e aninhei-me nos teus abraços;
- Já descansei ideias estafadas no teu ombro oferecido;
- Já me senti guerreiro e homem albergado;
- Já me senti elaborado e naif;
- Naif?
- Naif, não é mais do que a complexidade elaborada da consciência da simplicidade.
Ordeiro me desumanizo para de seguida me estorvar desta humanidade que não renego. Mais feliz seria, se mais alexitímico me forjasse. Deambulando cego e sem reconhecer estes campos de frio, cerro de crispação a minha face e os meus olhos nublados. Junto-me ao sol, que me devolve em raios, uma luz que não vislumbro. O céu levanta-se de madrugada de cor anil junto ao cruzeiro onde frugais horas me detive, degustando este prazer solitário de me equacionar vivente. No vale das salinas adivinho trémulas vidas agraciadas pela simplicidade. O moinho desfraldado a meu lado, sossegado, resistiu ao vento. Quando cinco minutos me parecem uma eternidade, a intemporalidade do tempo está inaugurada e já pouco interessa a sua medida. Desci vagarosamente a íngreme subida e, intacta, a minha vontade de alma cedeu ao solstício. Nessa manhã adormeci até tarde, muito tarde. Pela janela teimavam em me acordar pequenos pedaços de luz resistentes. Os ruídos habituais de sábado exalavam vindos da rua, não me apetece estar vivo quanto mais despertar. Este estado de meio sono, é a forma de ilusão mais próxima que tenho da alienação do meu todo colectivo feito um, num real e narcísico parecer. Não sou o que executo, bem como assim, o que executo não se coaduna com o que sou. Viver assim cansa. Exausto, me arrastam os dias aguardando-me prazeirosas, as noites. No interior da noite labuto com alegria e a recompensa solitária afaga-me de orvalho a minha loucura de ajuste e pertença, de verificação sensorial, dos amigos que se foram, dos parcos que se ficaram. O número em redução teima eu não se adicionar.
- Naif, não é mais do que a complexidade elaborada da consciência da simplicidade.
Fico sempre com receio de de te dizer algo, então na parte "literária" nem falo. .. mas adoro ler-te entendo o que escreves, tb te conheço um pouco, muito ou nada.... A distância é distância! mas dizem me as veias onde corre o meu "sangue", ... que sim ! Compreendo a tua complexidade e sei que não é fácil.
ResponderExcluirLoucos são os que vêem por lentes que ninguém vê numa sociedade atenta ao que vê, loucos são aqueles que sentem os pequenos nadas e que pesam tudo, loucos são aqueles que conseguem passar pelos pequenos intervalos da chuva, loucos são aqueles que vêem com clarividência, que a muitos não lá chegará, loucos são aqueles que choram a humanidade, loucos são aqueles que vêem com simplicidade ..... os outros são complicados!!!!
Eu tenho muitas rugas ...
Soberbo este teu texo
UM ABRAÇO GRANDE