Contestatário, navegante e viajante.
Azul estrelado, rosa cru, ou vermelho esperança, tanto faz, neste negro claro, acordado por este dia. O que me faz sentir para além das cores é a forma como as vejo e não a forma como as olho. Dias há, em que ganho por olhar, outros, apenas por existir e ver. Faço o que me apetece e não tenho o firmamento. Quando não o faço, tenho-o. Sinto-me um desconhecido no mundo. Ninguém sabe da existência de vida, de uma parte louca e precisa em mim. Porções de pessoas me olham, quase ninguém me vê. A religião não me basta ou sustenta. O espirito e a fé são eu mesmo, quando não me sinto cego. Adormeço-me no desconhecido, que o conhecido enraivece-me de medo, e o que sinto, é o que vejo. Leio mais um livro do Pessoa. É de letras minhas, escritas por ele. O sossegado em mim não existe, existe tão-somente e apenas … presença.
A poesia é um olhar.
Um olhar de ver semeado,
É dizer dizendo,
Que os campos são como os corpos,
Nascidos e criados,
Renascidos como a morte.
Ter norte é ser meridiano,
É curar-me e ser maleita
Melhorar sem curandeiro.
É ousar no silêncio de ninguém,
Ser alguém,
É nunca estar perdido,
Nem encontrado,
Contestatário, navegante e viajante.
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