O quê ?

Por vezes olho-me em redor e a azáfama descolorida da vida reduz-me. Está tarde, sentei-me num banco de um jardim com um amigo que estimo mas não frequento. Um amigo de caminhada que numa certa altura seguiu o seu trilho. Somos idênticos mas praticamos conceitos diferentes de vida. Estávamos saborosamente nas nossas conversas “ de pôr a escrita em dia” quando se aproximou uma gaja/miúda/mulher, refiro-me assim a tal personagem, porque foram estes, os papéis desempenhados. Aproximou-se como uma miúda, sentou-se como uma mulher e monopolizou a conversa como uma “gaja”. Três minutos depois eu estava impaciente e impacientado, desiludido com a vida, angustiado, agoniado e enraivecido. Apeteceu-me dizer - lhe que estava a invadir o nosso espaço que é raro, ou não é frequente e, ela, continuava dilaceradamente: “patati patatá, o meu João para aqui, a minha não sei das quantas para acolá, compras pela net, livros com 150 anos, a minha filha é muito esperta, o meu João é ainda mais … blá blá blá”. Eu e o meu amigo olhamos um para o outro, e percebemos que já na iriamos conversar mais, porque a estupidez veio como uma miúda, entrou como uma mulher e soltou se como uma "gaja". A este tipo de pessoas narcisistas, devia-se instalar à nascença um filtro, já que estão isentas de autocrítica, tacto, ou bom senso. Amigo, fica para a próxima a continuação da nossa conversa. Um abraço. Aquele abraço.

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