Paz em ver-te
Viva, então tudo bem?
Paz em ver-te, adeus.
Está tudo?
Bom dia, tarde ou noite, é assim que nos saudamos desconhecidos, sem interesse, sem reparar nas palavras grunhidas, ou nos acenos flamejados, desguarnecidos de conteúdo. Descaminho é o rumo que traçamos. Escrevo para verbalizar. As palavras ditas altas por uma voz, mesmo que una, dão vida aos meus pensamentos, ganham sentido e contexto, incorporam opinião e juízo quando as escrevo. É como se, se transformassem numa criação disruptiva, mas evolutiva em mim, e para mim. É como se fossem um analista, ou um processo terapêutico de ajustamento individual. É como se ganhassem corpo e diminuta vitalidade, ou uma maior validade. A intimidade por vezes estraga tudo. Há realidades que eu não quero ou preciso saber. Não se divide facilmente intimidade. A minha reclusão é a minha divisão. É o que tenho para oferecer. As minhas namoradas são o meu elo com um mundo desconhecido, um mundo que não domino. Acho desvantajosa a relação que tenho com a humanidade. Sou pai solteiro, uma figura criada e percebida antes de acontecida. Tornei-me maior e com outro sorriso ao sê-lo. Interpreto agora melhor a mensagem subliminar, intrínseca e perceptível dessa “coisa” dos afectos desintencionais. Decifro agora melhor o valor da troca da vida, pela morte. Detesto bestas que se adoram ouvir, reuniões maçadoras, representações ignorantes de gestão, conceitos antiquados e, quiçá promíscuos. A gestão não é a demonstração de resultados, a isso chama-se estatística e pode-se facilmente manipular. Gestão são as pessoas, e as pessoas são, o que todos nós somos, isso gere-se, emocionalmente. Gestão é o contrário do praticado. Hei-de me guardar do processo cognitivo, em prol daquilo que sou, processo emocional.
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