Os nossos dedos entrelaçados de mãos
Fundem-se as almas antes dos corpos desassossegados de vontade. Parar o tempo pela eternidade existe somente numa obra-prima, na magia e no querer. As palavras soltam-se aladas e ritmadas por entre os lábios mordiscados e beijados. Um rio, transforma-se da nascente até à foz. Os nossos corpos ajustam-se da foz à nascente, percorridos numa metamorfose e magnificência. A nascente geme água de vida. A foz, desagua e salga de beijos as nossas bocas incandescentes e descendentes. Os nossos dedos entrelaçados de mãos ascendem e percorrem-me arrepiado, cada milímetro de pele desejada. A tua tez morena encadeia-me. Ainda me cheiras nos poros. Os nossos corpos colados não se querem separar, querem-se siameses. Prazer este privilégio ocorrido a cada cem mil anos, idade que contam as estrelas. Respiramo-nos em partes iguais, nós mesmos, como um todo. O sorriso acariciado descansa-me e alberga-me e, assim oferecido, retempera-me. Desenho no teu corpo mil imagens que cristalizo na minha memória. A madrugada já se despoja, não tarda, a manhã clareia. Não me importo. Se feliz, acordado me rejuvenesço.
Se numa única vez na vida existo, tem uma vida então, este minuto.
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