Quase quase

Denomina-se por contradição o processo de maturidade de uma decisão. Começa-se nos “prós e contras” e termina-se nos prós / prós da vontade, subtraindo-se assim, a fase antecedida e denominada, contras / contras. Assim se vai abalançando e apreciando a vontade e o desejo, em prol da irracionalidade estoirada e exausta de tanta racionalidade, dando assim azo, à emocionalidade vigente da felicidade, mesmo que amiúde, ténue, disfarçada e/ou efémera.


 


Parece complicado e dissemelhante este exercício mental e incoerente do espaço que habita entre “os prós e os contras”, mas sem ele, jamais poderia alcançar a paz conquistada pela liberdade decisória e resolutiva, quando não tenho a certeza do que fazer, dizer, ou simplesmente ser.


 


Possuo compassos e pautas dentro de mim, rimas feitas de flores, olhares meigos, sorrisos esboçados, lírios desabrochados, faces rosadas como romãs, cabelos de fios de oiro, adornos construídos de cheiros, imagens transpiradas de carnalidade, luxúria, concupiscência, acordes de passadas sôfregas, sal no olhar, dores no peito, músculos de seixo, rostos inesquecíveis, viagens por repetir e muitas por iniciar. A cada hora que se esgota, renovo esta troca gasosa entre a respiração orgânica de ser vivo, e a oxigenada corrente sanguínea que me abre a mente e me reduz ao meu estado de anti ego, desinflamação necessária a que me remeto mais o mar. Adormeço a não pensar em nada, depois de em tudo ter pensado, agora, imperturbável embalo-me, não rezo, mas escuto o vento baralhado de estrelas…


 


Oiço-o,


Suave,


Quase que me cheiras,


Quase que me apertas de braços,


Abraçamento,


Quase que te pressinto,


Quase que te adivinho,


Quase quase,


Quase que te sinto.

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