Querença
Inquieto de tanto sossego,
Lucido de tanta loucura,
Transformado de tanta paz,
Fica este quadro perfeito e desencantado.
Pode um homem pedir,
O que depois não sabe existir?
Tanta planície rogada a um deus que não se crê existente de resposta,
Glorificada oração tamanha,
Montanha que me faz pequeno.
Origem esquecida,
Ensinamento conspurcado,
Exemplo social desajustado.
Hoje, mil ideias abruptas me cegam os ideais,
Maléfica mente oposta, resistência do coração,
Deslumbre e sedução.
Uma madrugada me ocorre em correria,
Redução sensorial,
Exaustão e fuga.
Distribuo-a em partes desiguais pelo meu entendimento,
Espirito e físico deambulam desapiedados numa manhã fresca,
Faço sexo sem um nome, sem objecto carnal.
Não existe, Maria, Eugenia, Leonor ou Catarina,
Igualmente não há desamor,
Equitativamente apenas habito a querença,
Parte da minha existência,
Brilho, fulgor,
E presença.
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