A transposição das almas
A insónia de ansiedade, na procura do meu eu de verdade reconhece-me. Não antes ainda, havia reconhecido no meu ser, a poesia do amor. Os seres apaixonados discutem e passam por crassas e dolorosas formas de sentir, mas, ultrapassam tudo isso porque querem seguir apaixonados a senda que os une. Os não apaixonados não pretendem o desgaste da não recompensa do amor. A isenção de querer pela troca física de ter, esmorece e varre o trabalho que dá construirmos em nós, a projecção do nosso eu adiado. Verosímil carregado e confiante, as muralhas derrubam-se e erguem-se a pulso nas ruínas que o ter, houvera construído em prol do ser. O sono da inquietação e a agonia intelectual do ajuste alcança as asas do universo, e, momentos há, em que o mundo parece ser um lugar aprazível e coerente. Por cada transformação metafísica alterada, uma subjacente luz se enche de energia e caminho, de dádiva e de presente repleto, de bonança e confiança. Os delírios cerebrais permutam-se em lírios e açucenas, a partilha não é uma esquiva forma de estar, é uma constante e sentida forma de ser. Ser e ter é antagónico ao sentir e possuir. Não se possui o que se tem.
Possuir é: o descompromisso de estar.
Ser é: a divisão das almas que se completam, que se querem e que se têm, sem a pertença de se terem. É a liberdade dividida do amor, pelo amor da transposição da divisão das almas.
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