O que experimento tempera-me

Foi demasiado amor naquele prado de verde prado. Foi danada a saudade dentro da barcaça feita de amor e mar. É tanta a maresia a cada madrugada de insónias que se libertam sonhos durante o meu sono. Foi, era, e é, são o acordado debutante dos meus dias. A liberdade dá espirito e vontade ao libertino pensamento anunciado. A invisibilidade do que me é essencial aos olhos atropela-me a acção descomandada do coração. As escadas que subo antes e até ti, sôfregas, ainda me espancam o coração. A cada degrau o meu grito ensurdece-me num vulcão que me segreda: espero-te. Os teus olhos embriagados nos meus cederam. Embebedamo-nos juntos, rebolamos, e soltamos palavras voluptuosas e suaves, acerca do nosso enfeitiçamento. Gememos de amor feito por nós e de nós, e, adormecemos a sorrir em cada noite passada. As árvores que se erguem à altura da tua varanda já me escutaram e balançaram, num vigilante comprovativo de alma. Rompe-se o silêncio calmo da cidade que já não é. A serra espreguiça-se e, não longe, o mar sucumbe esperando ser visitado. As terras aradas e remexidas são de cor castanho fresco. O céu não é azul de mar e o mar não é cinzento de céu. A tua boca sabe a azul fresco da manhã e faz em mim desvario. Abraço-te, saio para a multidão e cego de gente. O meu dia é feito de uma mistura que não sei descrever ainda, tal é, a forma robusta que me veste o que sinto. A chuva, o frio e o sol destemperam-me, o que experimento tempera-me.

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