Desfiladeiro

Se já antes assim fora,


Tendo eu a demente ideia,


De fazer do mar abundancia,


Abrindo assim o mundo,


De negada evidência.


Os meus olhos vêem os teus braços a enlaçar a lua,


Porque teimas tu em dizer-me que não?


A minha verdade contempla um desfiladeiro,


Um rio revoltoso já seco,


Lagrimas que me abandonam os olhos,


Combatentes do amor,


Flecha dilacerada,


Elevada bandeira hasteada,


Desofuscada.


Sinal de bem-querer,


Mutação de desamparo em esperança.


 


Se na tua fonte gemo em ti mais do que um lamento, pelo mesmo motivo não jorro em ti esta inquietação.

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