Amar

Amar-te com o meu corpo todo?


Por inteiro?


Com todos os meus sentidos?


Prolongamento de mim mesmo?


Amar-te com a força do mar desordenado onde namoramos?


Com a incandescência do sol de verão?


A fresquidão do equilíbrio da madrugada?


A saudade idêntica do nevoeiro onde te espero?


Com os meus olhos sôfregos de estrelas?


O meu peito aberto como um vulcão?


As minhas mãos ardendo pelas tuas, no gelo que me queima, quando não te encontro?


 


Amar-te como prolongamento dos meus cheiros,


Do meu cansaço e sono,


Da meu contentamento ao ouvir-te abrir a porta,


Da descoberta de cada pensamento teu,


Do som do teu silêncio,


Da admiração de sempre inalterada.


 


Amar-te com todo o meu corpo é amar-te com todos os meus sentidos.


É o prolongamento do meu eu que, não quero excluído.


É a inclusão terrena dos nossos beijos feitos de astros e alma,


De cheiro a terra chovida,


Do mar transformado em bonança,


Dos hemisférios fundidos em nós,


Do céu preso nas nuvens,


Dos rios desaguados em nós feitos foz,


Das nascentes arrebatadas e crescentes no leito do nosso amor.


 


Amar- te é não sentir o peito e a cabeça,


Os braços e as pernas,


O andar,


As lágrimas e os rires,


Os devaneios e as conformadas vontades.


 


Amar-te é não sentir dor, e da dor, sentir no meu corpo todo, por inteiro, todos os meus sentidos, prolongamento de mim mesmo em ti.


Amar-te é:


 


-A Maravilhosa Atenção Renovada de Ter E. . . . .  Ser.


 

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