M.A

 


A escolha dos últimos momentos escritos em madrugada de insónia e recordação são a procura do entendimento para o sentido da vida.


 



Escrever este amontoado de palavras feitas de letras, é querer ficar contigo sem sentir que a partida é um final, e querer transformar esta experiencia terrena em cristalizada presença.


 



Não entendendo os motivos na vida, não entendo igualmente as razões porque me despeço em saudade na morte.


 



A morte é mais do que os motivos e as razões, é um por do sol de trovoada e um desaparecer no horizonte, sem renascença no dia seguinte.


 



É o mundo inteiro perecer, e faltar-nos elementos, que sabemos necessários à existência de nós mesmo.


 



Os dias vão-nos afastando e as noites vão-se deslocando.


 



Questiono realmente o que fica e o que parte?


 



O que nos abastece e o que nos falta?


 



A morte é a saudade.


 


A vida é um património que se esgota sem tempo combinado, sem anúncio publicado.


 



Hoje, esgotado ficou o sol, que se transformou em estrela que o céu negro roubou.


 



Não sei rezar, não quero rezar.


 


Hoje é dia de declamar odes ao presente, porque o presente tem passado, mas não tem futuro.


 



Fica um sorriso,


Umas mãos,


E um grande coração …

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