A paz só se altera se for demasiada
Quando respiro nevoeiro alcanço a silhueta que as arvores desenham no nascer do dia. A cada madrugada sou acordado por um bando de pássaros rumados de sul. Espreguiço-me encantado por um sorriso dado pela aurora do nascer do dia.
Durante anos a fio detive-me com os entardeceres, hoje, oxigeno-me com o nascer do dia e a força brutal do rompimento com a noite. Sinto que com o crescer da vida em anos, os anos modificaram o conteúdo dos dias. Passam por mim redutores sorrisos que sedutor guardo na minha algibeira para te enviar, como quando se mandam promessas azulados pelo tempo, ao lago dos milagres.
Está encarniçada a minha paixão, está em carne viva, por sarar.
Duas arvores à entrada da estreita estrada quase que se beijam, aproximando no seu cimo a folhagem entardecida, desenhando um V de vitoria. Está sossegada a paz quando existe a guerra. A paz só se altera se for demasiada.
Vou entretanto recolher o sabor do aroma a café que grita do velho fogão encardido pela lenha. Desfaço-me do suor do dia, sentindo a água gemer fria arrepiando-me a pele.
Quando piso o dia e saio para a rua sou um normal homem jorrando tímidos bons-dias e envergonhados olhares, na roupa de um normal e mais de mil delegados comerciais, com pele feita de fato cinza de morte sóbria, não súbita, mas anunciada.
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