Enchimento da lua

 


Uma página construída por janelas que abrem horizontes de olhos pendurados no enchimento da lua...


 



Assim sendo, nos teus olhos, a janela do tempo emerge eterna...


 



Muito, é o encarceramento do tanto, e tanto é a libertação do muito…


 



Olho-te...


 



Espero-te no próximo quarto crescente com o meu amor cheio de luz da lua…


 



No teu bairro branco, as pombas arrulham no terreiro da saudade, e o teu peito farto é solidário com o afecto que encontro procurado...


 



Um barco não atraca em terra, um barco não existe num porto. Um barco é para navegar, naufragar, navegar, navegar, navegar...


 



Em cada naufrágio a bonança acena dos teus olhos quentes, coexistência do meu porto...


 



Não são as barcaças que existem nos portos, são os portos que existem nas barcaças, e assim se fez o mar, de lua e presença, de faróis que encaminham a minha alma, que me sustentam e seguram os olhos pendurados no enchimento da lua...

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