Casas onde nascem as arvores da saudade
Velhas estas casas onde as arvores crescem dentro.
A estrada subterrada de mato alto já não deixa vislumbrar as janelas ruinosas das fendas que não existem, e de onde já não se avista paisagem alguma. Subsistem ainda os velhos e elegantes quadrados sobrepostos de pedras, construídos por quem deixou descendência que não ousou manter viva, a vida que outrora jorrou em jovial corrente.
Estas são as ruínas da casa da minha aldeia onde a minha juventude já não se pode acercar, mas onde não pára de se inquietar.
Estas são em mim, as ruínas que cuido num pensamento nostálgico da primeira década da minha existência em quietude.
Grito alto um roufenho bramido de saudade.
A saudade não se beija ou acaricia, a saudade verte-se pelos olhos e estrangula-se entre os dedos de um punho cerrado.
A saudade não é o tempo passado.
A saudade existe apenas no presente, existe somente na impossibilidade de se fazer o momento.
As ruínas e a saudade, são ambas, os escombros de uma alma que já sentiu presença.
A saudade é aquela casa em ruínas, onde crescem arvores dentro.
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