Uivos roufenhos ao amor

Sem existir madrugada rompe a manhã,


Sem haver tarde ocorre a noite,


Sem possuir uma vida com norte,


Existe norte na vida,


Existe verão sem outono e inverno sem-abrigo,


Desabeira-se a alma com o espirito,


Existe paz podre e guerra sã,


Mas estações não se misturam.


 


Os uivos das árvores roufenhas melodiam as manhãs,


O amor é a antecipação,


É crer na adivinhação,


É a amálgama da solidão do outro,


Entre nada existir,


Tudo existe na desapoquentação do sossego,


Nas madrugadas inexistentes,


Nas noites e nas manhãs.


 


Na presença de tudo o que não existe desapaixonado, olha-se a paixão na visita da lua.  

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