História da loucura premeditada
Retenho em mim esta poeira traçada de caminho, solta de um país pobre e esquecido. Entristecido. Degastado por desgastados pederastas. Cúmplices dos antecedidos. Colaborantes dos vindouros.
Vivo num país esquecido dele próprio.
Subjugado. Ignóbil e criminoso. Onde a escola já não ensina, os hospitais não tratam, e a justiça cegou.
Vivo num país que expulsa em catarse os seus demónios.
Onde choramos as lágrimas dos outros e as mágoas de todos, como se a individualidade não fosse personalidade.
Vivo num país não livre escravo da dívida da liberdade.
Vivo num país que não pensa e já sente pouco.
Vivo num país onde as forças para lutar já escasseiam. Onde escasseia sopa, crianças, fraternidade, ideias, vontade, arriscar, e Grândola.
Quero um país que arrisque. Quero que não sejam os mesmos sempre a arriscar.
Arrisco. Vou a jogo no escuro e, perdi.
Quase que parto … desta loucura premeditada.
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