Morremos juntos
Quando estilhaça na minha alma o património que construí,
O teu corpo ausenta-se dos lençóis que habitámos.
Nas noites ternas de frio,
Residente na parte de fora de nós,
Os prados verdejantes que foram as nossas manhãs,
Sucumbiram à tempestade das nossas bocas,
Dos nossos corpos,
Como a mortalidade que um dia dissemos não existir.
Ruímos como o palácio,
Que foi o nosso julgado e legado de eterno amor,
Os dias somados de pele e arrepio,
Transformaram-se na agonia que agora pernoitamos,
Ausentes neste descaminhar,
Cor violeta,
Amortalhado.
Saudades esfaqueiam-me na canção que ouvíamos juntos,
E nos embalava no orgasmo conjunto.
Cantávamos: um dia seremos céu e nuvens e não teremos medo do que está para além do nevoeiro”.
A nossa casa ruiu quando deixámos morrer as flores do nosso jardim,
Morreu o nosso querer com o não querer do nosso querer,
Morreu o nosso querer com o não querer da nossa promessa,
Morremos juntos com eles.
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