Sem prescrever

Tens uma guilhotina no olhar que me trespassa o entendimento,


Da tua boca rebentam claves de sol,


Que me embalam.


O sol que jorras ao caminhar,


É semi-difuso,


Tanto o sinto como um aconchego,


Como um vale escuro e frio,


Que me perfura como uma guilhotina,


Com punição e hora anunciada.


 


A tua blusa desajeitada persegue-me,


Persegue-me nos sonhos que não abandono,


Persegue-me como um desfiladeiro.


E eu,


Ali,


Suado,


Amedrontado,


Sem desabar,


Sem prescrever.


 


Por ser menor a dor maior,


Arremesso-me a este lugar,


Meu de existência,


Meu de persistência,


Sufoco-me nesta imagem de céu,


De um caminho,


Iluminado de árvores,


Vida,


E paraíso.

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