Vereda
Vereda,
Estreita e enrugada,
Ensanguenta-me os pés no caminho,
Como se as chagas descessem do coração,
E me incendiassem os passos.
As gaivotas arrulham estonteantes,
Descanso sob a pedra abraçada de mar,
Sinto a cacimba refrescar,
Sombria o meu trajecto,
Uma rajada trespassa-me a pele num arrepio.
Faltam-me cumprir todas as metades,
Para ser inteiro,
Sobram-me noites prenhes de esperança,
Para os meus pés ensanguentados em tragos,
Sorverem a coragem de calcorrearem a vereda estreita e enrugada.
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