A direcção do destino

Levantei-me do chão que foi a minha cama,


Ausentei-me daquele que fui eu,


E parti da poça que foi o meu mar.


 


O amor começou ainda antes do dia raiar,


Antes mesmo do dia em que parti,


Precisamente no dia em que cheguei.


 


Para trás toda a validade faz o que sou,


Sem passado não existe presença no presente,


Sem todos os socalcos terem sido decalcados, não existiria.


 


A direcção ao destino ninguém o sabe,


Nem eu, nem deus,


O destino não é fatalidade.


 


Se sou agora o momento, curo as chagas,


Prometo ser de mim proprietário,


Na propriedade que me assiste.


 


De trás esqueci tudo para que me possa recordar a mim,


Arrumei tudo o que era para arrumar,


Que o destino não está programado.


 


Levantei-me do chão que foi a minha cama,


E fui visitar o mar,


Levantado do chão que foi a minha cama.

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