Noite negra, noite seca
Noite negra de desejos aprazados,
Onde a lua se baloiça fascinante,
Desloca na luz o brilho e o percurso,
Fecunda na vereda o mar impreciso,
Dessalgado isento de olhar molhado,
No frio férreo da estação.
A liberdade espreitou-me rasgada,
Dilacerando-me a consciência,
Num despedaçado bocado de alma,
Não possuo mais tempo ou vontade,
De existir até contra natura,
Nesta abraço bocejado de enfado.
Quero por inteiro reunir as porções,
Que de mim mesmo se afastaram,
No definho da minha ilusão,
O meu peito concebe o engano,
Que me castra e imunda,
No secura do meu coração.
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