Praias distantes de gente

Passeámos em praias distantes de gente,


Despovoadas de pessoas,


Enchidas de nós.


 


A areia remexida dos nossos corpos e dos passos até ao mar,


Mantem salgada a minha alma,


Percorremos a juventude que achávamos infindável,


Mais as madrugadas que encontrávamos sem procurar,


A saudade não existia e, hoje, apenas existe o murmúrio.


 


Do olhar restam os olhos,


Das flores sobra o cheiro,


Dos anos passados restam as mãos com que fiz demorada a vida,


Fiz uma filha,


Fizeste um filho,


Não fizemos nunca um filho.


 


Fizemos mascarados o carnaval de natal e páscoa,


Fizemos versos consagrados pelos acordes da viola.


 


Deixei as intermitentes luzes da cidade tomar conta da minha vida,


Já não passo sequer próximo de mim.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Blogger Cardílium

O pai natal foi um filho da puta

Prestianni - viva todas as cores !