Sol ruinoso

A vida decompõem-se,


Apodrecem os nossos dias de desencanto,


As nossas preces de desengano,


Os nosso amigos que se vão,


Os desconhecidos que estranhamos,


As raízes que se transformam,


As sementes que se alteram,


A lua que se encobre,


A fome exposta e crescida,


As crianças que se desalegram,


As cores que se desvanecem.


 


Aos poucos, apodrecemos de vida.


 


Depois,


Mais ou menos pela metade,


Sabemos que a matéria se decompõe,


E como se compõe o amor,


E crescem laços coloridos com que enfeitamos os dias,


E abraçamos as saudades,


E prometemos mais dias aos dias,


E mais momentos construídos de estrelas,


E mais rostos de fogo queimando o nosso,


E mais mãos,


E como rochas construímos o porto,


Soltamos ferro, maresia, olhamos outra vez o céu e atracamos.


 


Aí, já o sol ruinoso de claridade


………………………………………………trespassou a nossa existência.

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