Lua
As luas não são todas iguais, e não é por serem metades, crescentes, minguantes ou novas, não o são pelo céu que as alberga, pelos olhos que as vêem, pelos corações que a sentem, por todos os outros elementos que a evidenciam.
As luas não são luas.
As luas são a lua.
Hoje está clara, amanhã mais clara estará e poderei nem sequer a ver.
A lua é ancestralmente os degraus que subo na escadaria da minha emoção.
É como uma aferição equacional da forma como me sinto, de variáveis diferentes, de resultados iguais.
Já me zanguei com a lua por a ver só.
Já me abençoei com a lua por só eu a ver.
Já me privilegiei com lua por ela se me mostrar: sedutora, silenciosa, irresistível.
Já fiz tudo com a lua, como se ela fosse só minha e mais ninguém a pudesse tocar.
E isto é verdade.
A lua é minha, ninguém a vê como eu.
Ninguém a sente como eu.
Ninguém sobe os degraus da escadaria da minha emoção como nós.
Eu e ela.
A lua e eu.
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