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Mais de oitenta anos passaram-se num instante: disse-me.
Os dias continuam a ser uma aventura. Os inteligentes raciocínios aliados a uma vida de experiência, de dor suportada, de dor ultrapassada, mantêm-se nos olhos azuis de céu e esperança.
Hoje, pela tarde já posta, abracei o meu pai.
Faz anos. Fez anos.
Fará sempre anos sem idade acumulada. Celebrarei sempre a sua existência como continuação de mim próprio. Festejarei sempre o seu pedaço em mim. Saudarei sempre a sua essência.
Hoje, de lágrimas já enxutas, a vida recompensou-o da liberdade do sossego e da paz em que sempre acreditou.
Hoje, já a noite se elevava, abracei o meu pai.
Homem repleto de homem, homem encharcado de vida.
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