De cada vez que o universo me toca arrepio-me
De cada vez que o universo me toca arrepio-me. Sempre assim foi. Sempre se me encheram os olhos de água com a beleza do universo. É como se não coubesse em mim. É como se transbordasse em mim pelos olhos. É tanto, que julgo que mais ninguém repara no que eu aprecio. Pode ser o vento a soprar nos choupos. A folha de outono em passadeira silenciosa e húmida, forrando o chão que os meus pés pisam a sentir o caminho protegido.
Pode ser o mar que quase consigo perceber as palavras que me oferece. Pode ser um arco iris plantado no fundo de uma planície esbracejando para mim. Pode ser um rio sufocado na curva e contra curva que tem que fazer atá à foz onde desagua e, finalmente, se dá ao oceano.
Sempre as palavras me chegaram em todas os romperes de dia. Tudo sempre se me cristalizou nos finais da aurora. Os dias e as noites, eu, e os meus amores. Não existem pessoas que me distraiam do universo e do que sinto, nem sei mesmo se queria que existissem.
Quando existirem, morrerei.
Quando existirem viverei já sofrido e cheio de universo disposto a tocá-lo sempre, com arrepio.
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