Vocábulos são baloiços de embalo

Os vocábulos mais simples e comuns,


Descrevem a minha forma mais complexa de sentir,


O meu conteúdo mais disforme,


A minha alma navegada num breve e agitado mar,


Os meus cognomes baptizados de mim.


 


As palavras mais miseráveis são generosas,


As mais cínicas saborosas,


Porque não oiço o que me enunciam,


Porque o que proferem são baloiços de embalo que não escuto,


São meras e pobres observações ao meu desconhecido sentir.


 


Sou filho de um deus secreto e selvagem,


Sem pátria sequer onde tombar,


E pouco me elevo aos olhos dos que não sabem voar,


Bebo nas fontes as palavras,


Bebo para não me afogar.

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