Extracto de palavras por ver a luz um dia

“ … Nasci aqui. Sempre aqui vivi. Os meus familiares morreram aqui, e, eu sinto que aqui nunca pertenci.


Como poderei eu adiar uma vida? Um lugar? As pessoas? Os jardins? As chamas que me ardem dentro? Ou o amor?


As feições das pessoas que passam por mim explodem ou num arreganhado franzir de testa, ou num sorriso que me sabe a fel. Não há normalidade. Não há existência. Por aqui me passeio, adiando as horas em dias que não se regeneram em mim.


Se regressasse ao útero que me encomendou e nascesse de novo? Voltaria a crescer de urgência? Voltaria a saborear estas ruas cheias de gente desertificada de humanidade? Voltaria a ter o mar como sonho e a floresta como recanto? Voltaria a não confiar no padre de voz sumida e sorriso forçado? Voltaria a partir e a ter amigos que partiram antes de eu chegar?


Disfarçando as lágrimas nos tombos das esquinas sufocadas de ninguém, andei mais uns passos rua abaixo, e as pessoas sem hesitações de simpatia, ora franziam a testa, ora doavam um sorriso.


Para mim dava igual. Eu não pertencia a este sítio, mesmo vivendo neste lugar … ”

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