Frágil e poderoso
Escrever é o acto de preenchimento de mim próprio nas palavras que não necessitam de diálogo ou resposta. É extorquir de mim mesmo o que sinto sem a necessidade de entendimento de outrem, porque na verdade existem sentires que as palavras não adequam.
Escrever oferece-me a possibilidade inigualável de exprimir o que sinto sem o retorno esperado ou explicado, do mar que me habita alvoraçado. Existe apenas uma alma e, essa alma é una, com a remota possibilidade de ser espelhada numa outra. Uma vida pode não ser suficiente para tal encontro.
Cada dia aglomerado de mim próprio faz com que essa possibilidade seja uma necessidade, uma vontade, ou tão e somente a aceitação de mim mesmo como a minha melhor companhia e liberdade.
Os filhos são outra dádiva do sentir. Por isso existem filhos. Por isso existem pais. Os pais sentem os filhos pela simplicidade de um olhar ou tom de voz. Os filhos estão no seu caminho reconhecendo nas mãos dos pais, os abraços.
Frágil e poderoso.
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