há sítios que me acolhem

Há sítios que me acolhem. São estes os lugares que eu gosto de habitar. São estes os sítios que revisito quando me revisito a mim mesmo também. Há ilhas a que eu pertenço para sempre mesmo que, e, provavelmente, nunca mais as habite, mas é de lá que venho e parte de mim pertence para sempre a esses sítios, mesmo “suportando” outros.


 


O mesmo acontece com as pessoas. Há pessoas que me albergam e a quem sempre pertencerei. Há outras que são lembranças de mim mesmo. Outras são saudade. Outras são lágrimas. Outras são cheiros. Outras são floresta. Outras não são coisa nenhuma. Outras mataram pedaços de mim. Outras ressuscitaram-me. Outras ainda são a essência da minha vida, quase o prolongamento oxigenado do meu sentir.


 



Acontece-me o mesmo com as músicas, os livros, os poemas e os sorrisos, todos me albergam e a eles pertenço.


 


Se não pertenci jamais pertencerei, o contrário é a minha subsistência no meu sentimento, só porque um dia pertenci .


 


Porque há sítios que me acolhem … porque eu me acolho em sítios.


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