A decisão é inimiga do pensamento

Morro por dentro de uma forma quase imoral numa procura de réplicas e contradições emocionais. O pensamento é anti-inimigo da minha decisão. O chão salpicado de folhas amolecidas silenciam o meu caminho. Os beijos desprendidos prendem-se de recordações parcas e soltas. A minha aldeia está cada vez mais sossegada e fascinante. Jorra nesta esta época do ano a saudade. Geme das pedras que forram a montanha e dos olhos dos que abalaram depois do verão. Sangra das bocas de quem fica e do sossego da lenha no telheiro arrumada para o inverno, que já faz frio mais a norte.


 



As estações são como as contradições perturbantes do espírito. Nunca se ajustam, jamais se encaixam, ou satisfazem. São como um rio que nunca desagua. Como a trovoada que se adivinha. O pôr-do-sol adiado, ou uma gravidez inexistente, no compasso biológico de uma mulher descontente e infértil. A infertilidade é o que nos magoa. Não sermos pródigos e plurais é o que verdadeiramente nos castra sob forma de adormecimento. Nesta cama redonda de voltas dadas, sem que o sono se semeie, nos desmaie ou descanse, perduro.


 


Daqui a nada pela janela rompe o sol e obrigar-me-á a ser. Mesmo sem vontade existirei num ser. Tal qual o sorriso que me enfeitará, ou o bom dia de saudação conveniente e despropositado.


 


O pensamento é o anto-inimigo da minha decisão. A decisão é inimiga do pensamento.


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