Carta
Olhos cruzados de olhos,
Desprendida de mim a vontade de te sentir,
Hoje,
Amanhã,
Um dia,
Nunca.
No intervalo de não te saber sobro eu,
Que sou de quem posso cuidar,
Nesta espera, desconfio até de mim,
De vãos conceitos,
Como partir ou ficar.
Sonho com as madrugadas fartas,
E os amanheceres parcos,
Sonho com os dias em que te queria sem saberes,
Da ingénua vontade de te desconhecer,
Quando te percebi decidi:
Nunca, um dia, amanhã, hoje,
- É esta carta que te escrevo, é esta carta que te envio -
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